A visão de Milei para a soberania das Malvinas divide a Argentina

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O presidente argentino, Javier Milei, acendeu uma reação feroz durante um discurso que comemorava o 43º aniversário da Guerra das Malvinas.

Suas observações, entregues em Buenos Aires, em vez da cerimônia tradicional em Tierra del Fuego, divergiram bruscamente da postura histórica da Argentina sobre a soberania do arquipélago controlado britânico, conhecido localmente como Las Malvinas.

Milei sugeriu que seu governo visa fortalecer a Argentina tão profundamente que se torna mais atraente. Ele acredita que isso pode levar os ilhéus das Malvinas a escolher voluntariamente a cidadania argentina.

Os comentários de Milei marcaram um afastamento da longa rejeição da Argentina ao direito à autodeterminação dos ilhéus, uma posição enraizada na crença de que as Malvinas foram colonizadas depois que a Grã-Bretanha expulsou as autoridades argentinas em 1833.

Os críticos o acusaram de minar a reivindicação constitucional da Argentina e a Resolução 2065 das Nações Unidas, que enquadra a disputa como uma questão de descolonização que exige negociações bilaterais com o Reino Unido.

A visão de Milei para a soberania das Malvinas divide a Argentina. (Reprodução da Internet fotográfica)

Líderes políticos, veteranos e ex-secretários dos assuntos de Malvinas condenaram a abordagem de Milei. Cristina Fernández de Kirchner o rotulou de “traidor”, enquanto Guillermo Carmona argumentou que nenhum presidente anterior havia ido tão longe na validação de interesses coloniais britânicos.

Grupos de veteranos expressaram indignação, observando que Milei os excluiu dos principais eventos comemorativos e não homenageou seus sacrifícios. A Guerra das Malvinas, lutada em 1982, resultou em 649 mortes argentinas e 255 britânicas.

Apesar da derrota da Argentina, a soberania sobre as ilhas continua sendo uma questão profundamente emocional. O discurso de Milei reacendeu debates sobre identidade nacional, estratégia diplomática e legados coloniais.

Milei prometeu esgotar avenidas diplomáticas para recuperar as ilhas, mas enfatizou o crescimento econômico como sua estratégia. Os críticos argumentam que essa retórica enfraquece a posição da Argentina enquanto encorajava as reivindicações britânicas.

A controvérsia ressalta as tensões entre as políticas libertárias de Milei e o compromisso histórico da Argentina com a soberania territorial.