As tarifas abrangentes do presidente Donald Trump, reveladas como parte de sua política comercial “America First”, despertaram preocupações econômicas globais. Enquanto muitas nações se preparam para consequências significativas, o Brasil parece relativamente isolado.
Os EUA impuseram uma tarifa de base de 10% nas exportações brasileiras, mas os analistas sugerem que o impacto na maior economia da América Latina permanecerá limitado. As exportações do Brasil para os Estados Unidos representaram US $ 40,92 bilhões em 2024, representando apenas 2% do seu PIB.
Essa é uma das taxas mais baixas da América Latina, destacando a redução de confiança reduzida do Brasil no comércio dos EUA em comparação com colegas regionais como o México, onde as exportações para os EUA compõem um impressionante 27,2% do PIB.
Outros países como Equador (7,1%), Chile (5%) e Colômbia (4,4%) também enfrentam maior exposição. As novas tarifas têm como alvo uma ampla gama de mercadorias em todo o mundo, com a China e outras nações asiáticas mais atingidas – a China agora enfrenta uma taxa tarifária combinada de 54% em algumas exportações.
As nações latino -americanas, incluindo o Brasil, foram poupadas de penalidades mais duras, com apenas a Venezuela e a Nicarágua sujeitas a taxas mais altas de 15% e 18%, respectivamente.
O balanço comercial do Brasil com os EUA, que se inclina a favor das importações americanas, provavelmente contribuiu para esse tratamento mais leve. Em 2024, o Brasil importou US $ 65 bilhões em mercadorias dos EUA, criando um superávit comercial de US $ 31 bilhões para Washington.
As principais exportações brasileiras para os EUA, como combustíveis minerais (US $ 7,96 bilhões), ferro e aço (US $ 5,72 bilhões) e aeronaves (US $ 2,69 bilhões), agora enfrentam aumentos de tarifas moderadas.
Resiliência comercial do Brasil em meio a turnos globais
Apesar desse alívio relativo, os economistas alertam sobre os riscos indiretos vinculados às mudanças econômicas globais. Tarifas mais altas podem retardar o crescimento global, fortalecer o dólar americano e aumentar as pressões inflacionárias em todo o mundo.
O Brasil permanece vulnerável a essas tendências mais amplas devido à sua exposição à volatilidade do câmbio e às taxas de juros domésticas elevadas. No entanto, o Brasil pode encontrar vantagens inesperadas nessa paisagem em mudança.
Durante disputas comerciais EUA-China-China, mercadorias brasileiras como a soja viram maior demanda, enquanto a China buscava alternativas aos fornecedores americanos. Os analistas prevêem que oportunidades semelhantes podem surgir novamente, principalmente nos setores de agricultura e infraestrutura.
Enquanto as tarifas de Trump pretendem remodelar a dinâmica comercial global, a dependência limitada do Brasil dos mercados dos EUA a posiciona como uma das nações menos afetadas na América Latina. No entanto, o potencial de turbulência econômica global não deixa espaço para complacência em Brasília ou além.