A nova lei tributária offshore do Brasil está remodelando o cenário financeiro de investidores ricos, forçando -os a lidar com encargos fiscais inesperados sobre ganhos não realizados.
A legislação, promulgada no final de 2023, aboliu o adiamento fiscal de longa data dos ganhos estrangeiros e introduziu a tributação anual obrigatória sobre os lucros de investimentos offshore.
Pela primeira vez, os indivíduos de alto patrimônio líquido estão sofrendo todo o impacto dessa mudança enquanto se preparam para liquidar suas contas até 30 de maio de 2025. A lei exige que os brasileiros com mais de US $ 1 milhão em contas offshore para declarar seus lucros e pagar uma taxa de imposto de 15%.
No entanto, a escolha entre dois regimes tributários – opeso ou transparente – provou ser fundamental. Sob o regime opaco, escolhido em 95% dos detentores offshore, os ganhos não realizados são tributados anualmente com base na avaliação de ativos marcantes a mercado.
Isso levou a pesadas contas fiscais para muitos investidores, mesmo aqueles que não retiraram ou liquidaram suas participações. A tensão financeira é amplificada pelo forte desempenho do mercado em 2024 e flutuações de moeda.
O NASDAQ subiu quase 30%, o S&P 500 ganhou mais de 23%e os títulos do Tesouro dos EUA entregaram retornos superiores a 4%. Enquanto isso, o verdadeiro brasileiro enfraqueceu significativamente em relação ao dólar, com a taxa de câmbio atingindo R $ 6,19 em 31 de dezembro – a data de referência para cálculos de impostos.
Para um portfólio de US $ 1 milhão que produz um retorno de 10% em dólares, a receita tributável convertida em reais atingiu R $ 619.000, resultando em uma nota fiscal de R $ 92.850. Os investidores agora enfrentam decisões difíceis sobre como cobrir esses custos inesperados.
Política tributária do Brasil e seu impacto
Muitos estão optando por usar a liquidez de investimentos domésticos, em vez de vender ativos estrangeiros com prejuízo. A queda subsequente do dólar para R $ 5,70 no início de 2025 e os declínios nos índices de ações dos EUA tornaram a liquidação de propriedades offshore menos atraente.
Os gerentes de patrimônio relatam que os clientes estão reavaliando suas estratégias para equilibrar as obrigações tributárias imediatas com as metas de investimento de longo prazo. A política provocou debates legais sobre sua justiça, particularmente em relação à tributação de ganhos não realizados-um afastamento do tradicional modelo de tributação do Brasil-Basis.
Os críticos argumentam que isso afeta desproporcionalmente as estruturas offshore enquanto poupando investimentos estrangeiros diretos mantidos por indivíduos. Apesar desses desafios, as entidades offshore permanecem atraentes para fins de planejamento imobiliário, pois ajudam a evitar impostos de herança nos EUA que podem atingir até 40%.
Essa mudança abrangente destaca os esforços do Brasil para fechar as lacunas de receita enquanto se alinham às iniciativas de transparência global. Para investidores ricos, serve como um lembrete gritante da rapidez com que as mudanças regulatórias podem atrapalhar as estratégias financeiras e criar encargos imprevistos nas fronteiras.